Atualizar firmware de ONT e de roteador do assinante é tarefa que todo provedor sabe que precisa fazer e que muita equipe técnica vai adiando. O receio tem motivo: uma versão nova mandada para o lote inteiro sem teste pode trazer de volta o Wi-Fi com nome e senha de fábrica, derrubar o PPPoE em parte das casas e encher a fila do suporte na manhã seguinte. Só que deixar o parque numa versão de três anos atrás também custa, em falha de segurança conhecida e em bug que o fabricante já corrigiu.
Na nossa experiência, o que separa uma janela tranquila de uma onda de chamados é como o lote foi montado. Separar o parque por fabricante, modelo, versão de hardware e versão de firmware, testar em poucos equipamentos, executar de madrugada e refazer só o que falhou tira a maior parte do risco, e com um ACS TR-069 nada disso exige ir de casa em casa.
Por que atualizar o firmware da ONT e do roteador do assinante?
O firmware da CPE precisa ser atualizado porque é nele que o fabricante corrige falhas de segurança, bugs de Wi-Fi, travamentos que só aparecem depois de semanas de equipamento ligado e incompatibilidades com recursos como o IPv6.
A segurança vem pesando mais nessa conta. O relatório da NETSCOUT sobre o primeiro semestre de 2026, noticiado pela Convergência Digital, contou 487.415 ataques DDoS no Brasil entre janeiro e junho, e as empresas de telecomunicações sem fio (exceto satélite) foram o principal alvo, com 141.400 ataques. A CPE entra nessa história porque roteador doméstico com falha antiga e senha padrão costuma ser recrutado por botnet, tema do nosso texto sobre DDoS no provedor de internet. Atualizar fecha as falhas já catalogadas, as primeiras que um scanner automatizado procura, o que reduz a superfície de ataque conhecida sem deixar o equipamento imune.
O que pode dar errado numa atualização de firmware em massa
Uma atualização de firmware em massa pode dar errado de quatro jeitos, e só o primeiro costuma aparecer como falha na tarefa.
O primeiro é o equipamento que não volta, porque faltou energia no meio da gravação, o arquivo era de outra revisão de hardware ou a memória não comporta a imagem nova. A ONU fica muda e quase sempre vira visita técnica. O segundo é a configuração que volta ao padrão, porque algumas versões aplicam os valores de fábrica depois do upgrade e o assinante acorda com todos os aparelhos da casa desconectados.
Os outros dois demoram a aparecer, porque a tarefa consta como concluída. O TR-069 é padronizado, mas cada fabricante guarda boa parte dos parâmetros em ramos proprietários (os que começam com X_), e uma versão nova pode mudar um parâmetro de caminho ou parar de expor um deles. Dias depois, o N1 tenta trocar a senha do Wi-Fi de um assinante e não consegue, ou a potência óptica some da tela.
Por isso a Central de Ajuda do IXC ACS avisa que firmwares misturados se comportam como modelos diferentes. Duas ONUs do mesmo modelo, cada uma numa versão, podem expor a senha do Wi-Fi ou a VLAN da WAN em caminhos distintos, e o lote de atualização precisa respeitar essa divisão.
Atualizar firmware de ONT na mão ou pelo ACS?
Na mão, as opções são a interface web de cada equipamento ou a visita técnica, e nenhuma acompanha o tamanho de um parque. Pela interface web, alguém entra em cada CPE, sobe o arquivo e confere se ela voltou do reboot, uma de cada vez e sem registro centralizado. A visita resolve o equipamento travado, mas gasta combustível e hora de técnico numa tarefa que não precisa de ninguém na casa.
Pelo ACS, o trabalho é feito pelo TR-069 (CWMP), o protocolo em que a CPE se conecta ao servidor de autoconfiguração para ser configurada e diagnosticada. O ACS envia à CPE o endereço do arquivo, a CPE baixa, grava, reinicia e, na sessão seguinte, informa que a transferência terminou, então a plataforma sabe quem atualizou e quem ficou para trás sem depender de planilha. No caso do IXC ACS, instalado na infraestrutura do provedor com acesso à rede de CGNAT, assinante sem IP público também recebe a ordem na hora. Só a CPE desligada ou sem apontamento fica pendente até voltar a falar com o ACS.
Num ISP brasileiro analisado durante 6 meses (2025-2026), com dezenas de milhares de atendimentos, assinantes com CPE no IXC ACS tiveram 62% menos visitas técnicas do que os assinantes sem CPE no ACS. O número mede o efeito da CPE gerenciada no atendimento em geral, do qual o firmware é só uma parte.
Passo a passo da atualização de firmware em massa no IXC ACS
A atualização de firmware em massa fica em Menu Ferramentas > Atualizações em massa > Firmware e passa por três telas: seleção dos dispositivos, escolha do arquivo e agendamento. O roteiro que recomendamos é este:
- Consiga o arquivo com o fabricante ou com o fornecedor do lote, para o modelo e a revisão de hardware exatos. Firmware baixado de fórum ou repassado por outro provedor fica de fora.
- Clique em Nova atualização e preencha fabricante, modelo, hardware e firmware atual. Cada combinação desses quatro campos é um lote separado.
- Escolha um arquivo já cadastrado no ACS ou faça o upload informando versão, tipo do arquivo e tags.
- Selecione primeiro 2 ou 3 equipamentos, como a própria Central recomenda, de preferência da equipe ou de assinantes que o suporte consegue contatar. Confira se cada um voltou, reportou a versão nova, mantém Wi-Fi e PPPoE e ainda aceita a troca de senha pelo ACS.
- Com o piloto aprovado, monte o lote completo, use Agendar início para um horário de baixo tráfego (em geral a madrugada) e confirme com a senha do usuário.
- Acompanhe o total de dispositivos, os atualizados, os rejeitados ou não finalizados e os pendentes. Interromper a tarefa só afeta quem ainda não foi atualizado.
- No fim, use Refazer atualização. Ela pega só os que falharam e mantém modelo, hardware e firmware da tarefa original.
Se mais de 30% dos equipamentos falharem, recusarem o arquivo ou derem timeout, o sistema interrompe a tarefa e a marca como Falha, o que segura um arquivo errado antes que ele chegue ao lote inteiro. Para aparecer como Concluída, a atualização precisa dar certo em mais de 90% dos dispositivos.
Como saber se a versão nova continua compatível?
Compare a versão que você vai aplicar com a versão homologada do modelo antes de montar o lote. A homologação vale para a versão de hardware e de firmware que foram testadas, e em qualquer outra versão o suporte às funções é expectativa até alguém conferir.
No equipamento do piloto, abra Dispositivos, menu de três pontos > Sobre, e leia a tela Capacidades, com o selo e o estado de cada grupo de funções (funcional, parcialmente funcional, sem capacidade). Teste também, à mão, as funções que o seu suporte mais usa. Se alguma parou depois da atualização, acione o suporte com a versão nova e peça a avaliação da homologação.
Se a versão nova restaurar padrões, deixe a Reconfiguração Automática ativa em Menu Sistema > Configurações > ACS. O preset reaplica a pré-configuração do provedor quando o equipamento volta de um reset. A restauração depende do modelo, então confira no piloto.
Perguntas frequentes
Atualizar o firmware apaga a configuração do assinante? Depende da versão. Muitas preservam a configuração, mas algumas voltam aos valores de fábrica depois do upgrade. O piloto mostra qual é o caso, e a Reconfiguração Automática do ACS reaplica a pré-configuração nos modelos que suportam restauração após reset.
Dá para atualizar ONU atrás de CGNAT? Dá, e na hora. O IXC ACS é instalado com acesso à rede de CGNAT do provedor, então chega à CPE e dispara a atualização sob demanda, como faria com um assinante de IP público. Só fica pendente o equipamento desligado ou fora do apontamento, que recebe a ordem quando volta a se comunicar.
Com que frequência devo atualizar o firmware da ONU? Não existe calendário fixo. Atualize quando o fabricante publicar correção de segurança ou de um bug que afeta o seu parque, e só depois de conferir a versão nova contra a homologação daquele modelo e hardware.
Posso usar firmware de outro provedor ou de outra região? Não é recomendado. Versões personalizadas podem trazer a URL de outro ACS, outros padrões e outro domínio regulatório de Wi-Fi, e a CPE pode perder o apontamento ou travar. Peça o arquivo ao fornecedor e, se o equipamento sumir do ACS, revise o apontamento TR-069.
Checklist para a próxima janela de atualização
- Arquivo obtido com o fabricante ou fornecedor, para o modelo e o hardware exatos.
- Lote separado por fabricante, modelo, hardware e firmware atual.
- Versão nova conferida contra a homologação do modelo.
- Piloto em 2 ou 3 equipamentos, com Wi-Fi, PPPoE, potência óptica e troca de senha testados.
- Suporte avisado da janela, com orientação sobre o que perguntar se o assinante ligar.
- Execução agendada para a madrugada, falhas refeitas logo depois e versão aplicada registrada por lote.
Na manhã seguinte, compare os chamados do dia com os de um dia comum. Se não subiram, a próxima janela pode ser maior. Se subiram, procure primeiro um lote que misturou versões de firmware. Para ver esse fluxo rodando no seu parque, fale com a nossa equipe pelo botão abaixo.