A Algar divulgou em outubro de 2026 que reduziu em 60% o tempo das configurações técnicas na instalação, com uma assistente que o técnico usa no aplicativo para configurar rede, ativar serviço e trocar modem. Segundo a TeleSíntese, as ligações dos técnicos ao backoffice pedindo ajuda com configuração manual caíram mais de 32%. A ferramenta é própria de uma operadora grande. No provedor regional, o mesmo trabalho (técnico digitando parâmetro na interface web da ONU e ligando para o N2 quando algo não bate) sai do campo com o provisionamento automático feito pelo ACS.
Na teoria, a CPE se conecta, o servidor reconhece o equipamento e manda a configuração padrão sem ninguém abrir navegador, tanto na instalação quanto depois de cada reset que o assinante faz. Em parque com três ou quatro marcas, a automação costuma falhar em pontos previsíveis, quase sempre ligados ao modelo, ao firmware ou ao preset.
O que é provisionamento automático de CPE?
Provisionamento automático de CPE é o ACS configurar sozinho, pelo protocolo TR-069 (CWMP), a ONU ou o roteador do assinante no primeiro contato do equipamento e de novo depois de cada reset de fábrica. O técnico instala, a CPE fala com o servidor e recebe DNS, NTP, acesso remoto e o que mais o provedor tiver definido como padrão.
Por que configurar CPE na mão não escala
Configurar CPE na mão não escala porque o custo volta a cada instalação, a cada troca de equipamento e a cada reset que o assinante faz por conta própria. A maior parte dos acessos de banda larga fixa no Brasil já é de fibra, segundo o painel de acessos da Anatel, e quase todo acesso de fibra tem na ponta uma ONU ou um roteador que alguém configurou ou ainda vai configurar.
No suporte, o caso que mais custa costuma ser o reset feito pelo próprio assinante. Ele segura o botão porque a internet travou, e a ONU volta com o SSID e a senha da etiqueta e, dependendo do modelo, sem os dados de PPPoE. Aí o telefone toca, e sem automação ou o N1 consegue guiar uma pessoa leiga pela interface web, ou sai uma visita para digitar meia dúzia de campos.
O que acontece quando a CPE chega ao ACS?
Quando a CPE chega ao ACS, ela abre uma sessão TR-069 com uma mensagem Inform, e o servidor identifica o equipamento e envia a configuração dentro dessa mesma sessão. O fluxo, em ordem:
- A CPE envia o Inform com fabricante, número de série, modelo, versão de firmware e o motivo da conexão. No primeiro contato ou depois de um reset de fábrica, o evento é
0 BOOTSTRAP. Num reinício comum é1 BOOT, e no contato de rotina,2 PERIODIC. - O ACS identifica o equipamento (novo ou já cadastrado, modelo e firmware) e a regra que vale para ele.
- Na mesma sessão, o ACS envia os parâmetros da pré-configuração ou do preset, e a CPE responde se aceitou ou recusou cada um.
- O ACS lê os valores de volta para confirmar que ficaram aplicados e registra o resultado.
Tudo isso pressupõe que a CPE saiba onde está o ACS. Depois de um reset de fábrica, a ONU só volta a procurar o servidor se a URL estiver gravada no firmware personalizado ou for reenviada por outro caminho, como a configuração que vem da OLT. Esse assunto está no nosso guia de apontamento TR-069 em planta multimarca.
Por que o preset não funciona em todos os modelos?
O preset falha em parte dos modelos porque cada fabricante e cada firmware implementam a árvore de parâmetros do TR-069 do seu jeito, e o ACS precisa saber onde fica cada parâmetro em cada modelo. As primeiras versões do modelo de dados do CWMP tinham duas raízes, InternetGatewayDevice (TR-098) e Device, e o Device:2 (TR-181) veio para substituir as duas, como registra a página dos modelos de dados do CWMP no Broadband Forum. Só que no parque real as duas gerações convivem. A senha do Wi-Fi fica sob InternetGatewayDevice.LANDevice.1.WLANConfiguration.1 num modelo e sob Device.WiFi.AccessPoint.1.Security no outro, e o preset escrito para um caminho não acha o parâmetro no segundo.
O padrão também deixa o fabricante acrescentar objetos próprios, os ramos que começam com X_. A documentação de homologação que mantemos aqui na IXC Soft mostra que boa parte de itens como a VLAN da WAN e o sinal óptico fica em ramos como X_HW_ e X_ZTE-COM_. Por isso um modelo pode aparecer no ACS, informar número de série e tempo de atividade e mesmo assim não trocar a senha do Wi-Fi.
A homologação vale para a versão de hardware e de firmware que foi testada, e uma atualização do fabricante pode mover ou remover um parâmetro. E tem o modelo sem restauração após reset, que recebe a configuração no primeiro contato e volta de fábrica sem nada reaplicado.
Como o IXC ACS faz o provisionamento automático
No IXC ACS, o provisionamento automático se divide em duas funções: a Pré-configuração de dispositivo cuida do equipamento novo e a Reconfiguração Automática cuida do que voltou de um reset.
A Pré-configuração de dispositivo define os parâmetros enviados toda vez que um equipamento novo chega ao ACS: acesso web, DNS da WAN e da LAN, NTP, domínio regulatório do Wi-Fi e bind das portas LAN. Se o modelo é compatível, o parâmetro é aplicado, e o campo deixado em branco mantém o padrão de fábrica.
A Reconfiguração Automática usa os presets e perfis GPON cadastrados. Ela detecta que o equipamento voltou de um reset, reaplica a configuração e verifica se os valores ficaram aplicados, nos modelos compatíveis com restauração após reset.
Para saber o que um equipamento do seu parque suporta, abra a tela Capacidades do dispositivo (menu Dispositivos, selecione o equipamento, três pontos, Sobre). Ela mostra o selo de homologação e classifica cada grupo de função como funcional, parcialmente funcional ou sem capacidade. Se o firmware expõe o parâmetro via TR-069, dá para pedir a homologação ou localizá-lo na árvore de parâmetros do equipamento. Se não expõe, nenhum ACS consegue configurar aquilo remotamente.
Sobre custo, a referência pública que temos vem de um ISP brasileiro: dezenas de milhares de atendimentos em 6 meses, entre 2025 e 2026, comparando assinantes com e sem CPE no IXC ACS. Os assinantes com CPE no ACS tiveram 62% menos visitas técnicas e reabertura de chamados em 7 dias 6,2 pontos percentuais menor, segundo a metodologia publicada na calculadora de ROI. Esse resultado inclui o diagnóstico remoto e o resto do uso do ACS, então não dá para atribuí-lo só ao provisionamento, e ele varia com o perfil de cada operação.
Checklist para ligar o provisionamento automático no parque
- Levante o parque por modelo e versão de firmware. Para cada combinação, abra a tela Capacidades de uma unidade e confira o que funciona e se o modelo restaura a configuração após reset.
- Faça um piloto com uma unidade de cada modelo: aponte, deixe a pré-configuração agir, resete de fábrica e veja se a configuração volta sozinha.
- Combine com o fornecedor a versão de firmware antes de fechar o lote. Quando vier firmware novo, trate como modelo novo e repita o piloto.
- Monte a pré-configuração com o mínimo que todo equipamento precisa (DNS, NTP, acesso web, domínio regulatório) e deixe em branco o que deve seguir o padrão de fábrica. Na Reconfiguração Automática, associe cada perfil ao modelo certo.
- Confira a cobertura de apontamento. Equipamento que não fala com o ACS fica fora de qualquer automação, e é no reset de fábrica que ele costuma sumir.
Perguntas frequentes
O provisionamento automático funciona com CPE atrás de CGNAT? Funciona, porque a configuração vai dentro da sessão que a própria CPE abre com o Inform. O CGNAT atrapalha quando o ACS precisa chamar a CPE na hora (a conexão sob demanda), e nesse caso a ação espera o próximo contato periódico.
Preciso reconfigurar o equipamento depois de um reset de fábrica? Não, se o modelo tiver restauração após reset e voltar a encontrar o ACS. Nos modelos sem essa função, a configuração precisa ser reaplicada pelo atendimento remoto ou em campo.
Dá para provisionar IPv6 automaticamente? Dá, nos modelos com suporte. O IXC ACS tem uma rotina de provisionamento automático de IPv6 que confere o IPv6 a cada contato da CPE ou a cada reinício e o reativa quando falta. O texto sobre IPv6 no parque de CPEs tem mais detalhes.
Por onde começar no seu provedor
Se for para fazer uma coisa só nesta semana, faça o teste de reset. Separe uma unidade de cada modelo que você está instalando hoje, resete de fábrica na bancada e cronometre quanto tempo ela leva para voltar com a configuração do provedor, se voltar. Modelo a modelo, você descobre onde o provisionamento automático já funciona e onde cada reset do assinante ainda acaba em ligação ou visita.
Se quiser ver como isso fica com as marcas que você tem no parque, clique no botão abaixo e fale com a nossa equipe.